Para Educar Crianças Feministas [RESENHA]

Por Melissa Dietrich da Rosa

Para Educar Crianças Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie

“We Should All Be Feminists”. A frase que estampou uma camiseta da Dior no final de 2016, e que virou febre não só entre blogueiras de moda, foi uma homenagem à escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie (foto acima). A citação não é apenas o título de sua palestra TEDx Talks e reproduzida em seu livro Sejamos Todos Feministas, mas também o mantra que a autora repete de forma incansável por onde passa ou deixa a sua marca. Não é diferente em Para Educar Crianças Feministas, livro lançado em março deste ano. O que torna especial esta última obra é o empenho de Chimamanda em desdobrar o mantra em uma espécie de manual que endereça inicialmente a uma amiga recém parida, Ijeawele, mas que se presta a todos nós enquanto sociedade.

Chimamanda Ngozi Adichie é autora de Para Educar Crianças Feministas e tem outras obras também lançadas no Brasil: Hibisco Roxo (2003), Meio Sol Amarelo (2006), Americanah (2013) e Sejamos Todos Feministas (2014). Para Educar Crianças Feministas é sua obra mais recente.


          


“O importante é tentar”

É interessante que já no início a autora reconheça a complexidade do tema e a necessidade de entendermos que o próprio conceito de feminismo e, por conseguinte, sua ação, varia conforme o contexto e que portanto as próprias regras que apresenta não são definitivas: “Para mim, o feminismo é sempre questão de contexto. Não tenho nenhuma regra. O importante é tentar.”

De certa forma Chimamanda nos absolve da culpa eterna da paternidade/maternidade, apresentando o feminismo como um aprendizado contínuo onde o que interessa é o esforço em mudarmos o cenário, sem normas absolutas a seguir. Um alívio para aqueles que encontram na criação dos filhos um confronto contínuo com suas próprias crenças e posições éticas, um desconforto de não saber-se mãe ou pai perfeito.

Leitura importante

Para aqueles mais atentos aos movimentos e lutas feministas o texto não trará grandes surpresas, mas não perde a importância, servindo como um lembrete para nos mantermos no caminho. Já para aqueles que ainda não estão tão familiarizados com conceitos como o de que o pai é tão responsável (tão verbo, como apresenta Chimamanda) pelos cuidados dos filhos quanto as mães, o texto trará aquele incômodo necessário à desacomodação.

É o presente certo para aqueles futuros pais, mães, tios, avós, professores, enfim, que precisam ser despertados para este tema tão sensível. Para aqueles que acreditam que existe brinquedo de menino e de menina, que meninas não podem ser engenheiras, e por aí vai, a leitura deveria ser obrigatória. Para estes Chimamanda recomenda: “Ensine que ‘papéis de gênero’ são completamente absurdos. Nunca lhe diga para fazer ou deixar de fazer alguma coisa ‘porque você é menina’. ‘Porque você é menina’ nunca é razão para nada. Jamais.”

 

Um comentário em “Para Educar Crianças Feministas [RESENHA]

  • 30 de maio de 2017 em 00:25
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    Gostei da dica.

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